Sociedade Espírita de Auxílio Fraternidade - Ijuí-RS [Criação do Site - 05/01/2005] - [Última Atualização - 22/10/2017]

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Ismael, a FEB e o Evangelho redivivo no Brasil.


Flávio Rey de Carvalho


Em 2014, a Federação Espírita Brasileira – fundada em 2 de janeiro de 1884 – comemora  30 anos. O contexto marcado por efemérides – que também inclui o Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo (1864-2014) – é oportuno à rememoração de aspectos ligados ao Espírito Ismael, cuja atividade, desempenhada no Brasil – “coração do mundo, pátria do Evangelho” –, centra-se na difusão da Boa Nova de Jesus e na renovação espiritual das pessoas, nas bases do amor e da fraternidade universais.


Nesse sentido, este artigo se direciona  valendo-se, principalmente, de informações fornecidas pelo Espírito Humberto de Campos, na obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho1 – à elaboração de breve escorço em torno da convergência entre as atividades de Ismael e da FEB, ante o imperativo da divulgação da mensagem do Evangelho redivivo de Jesus e da sua assimilação, nos corações humanos.



Com o surgimento do Espiritismo na França, em meados do século XIX, e desde a sua divulgação no Brasil, de maneira paulatina nas décadas subsequentes, Ismael acompanha os espíritas brasileiros. Sua primeira comunicação se deu no “Grupo Confúcio” (também conhecido como “Grupo Confucius”), que funcionou entre 1873 e 1876,2 quando revelou seu nome e seu papel, como guia espiritual da Pátria do Cruzeiro.3 No final dos anos 1880, foi proclamada, pelo Alto, a “maioridade coletiva”4 do Brasil, como nação,4 momento em que Jesus – o governador espiritual do orbe terrestre –, pronunciou- se no sentido de orientar as falanges de Ismael para, doravante, concentrar as atenções no acompanhamento das questões de natureza espiritual a serem trabalhadas no território brasileiro.


Foi em meio a essa circunstância que o Cristo deliberou:


[...] Articularemos todas as possibilidades e energias em favor do Evangelho, no país inteiro, e a obra de Ismael derramará as bênçãos fulgurantes do Céu sobre todos os corações, na estrada de todos os felizes e de todos os tristes da Terra.4 (Grifo nosso.)


Em outra ocasião, o Mestre, dirigindo-se a Ismael, complementou:


[...] Na pátria dos meus ensinamentos, o Espiritismo será o Cristianismo revivido na sua primitiva pureza, e faz-se mister coordenar todos os elementos da causa generosa da verdade e da luz, para os triunfos do Evangelho. Procurarás entre todas as agremiações da Doutrina, aquela que possa reunir no seu seio todos os agrupamentos; colocarás aí a tua célula, a fim de que todas as mentalidades postas na direção dos trabalhos evangélicos estejam afinadas pelo diapasão da tua serenidade e do teu devotamento à minha seara. [...]5


Segundo Humberto de Campos,

As ordens e observações de Jesus foram por ele integralmente cumpridas. Escolheu as reservas preciosas da Federação [Espírita Brasileira] e assentou, dentro dela, a sua tenda de trabalho espiritual. [...]5 (Grifo nosso.)


A propósito, explica-se, por intermédio de breve adendo, que o emprego da palavra “tenda” não é ao acaso, estando o termo conectado, simbolicamente, à genealogia espiritual de Ismael, pois, em uma experiência remota, quando encarnado como filho  de Abraão e da serva egípcia Agar, viveu no deserto (provavelmente em tendas), conforme consta no livro Gênesis – capítulos 16 a 25 – de O Velho Testamento. Tal colocação vai ao encontro de algo dito pelo Espírito Pedro, o apóstolo, a Humberto de Campos, durante breve diálogo ocorrido em 1936.


Na ocasião, após ser indagado acerca dos propósitos de sua visita às terras brasileiras, aquele que fora discípulo direto de Jesus respondeu:


– Venho visitar a obra do Evangelho, aqui instituída por Ismael, filho de Abraão e Agar, e dirigida dos espaços por abnegados apóstolos da fraternidade cristã.6 (Grifo nosso.)


Por isso, convergindo com o assentamento da referida “tenda de trabalho espiritual”, emerge o “Grupo Ismael”, em funcionamento desde 1885 – depois incorporado à FEB.7 Este, em decorrência do importante papel exercido na recepção das mensagens e das orientações emanadas do Alto, tornar-se-ia, sob a égide do venerável Guia espiritual, na “célula de evangelização, cujas claridades divinas tocariam todos os corações”.8

Apesar de boa parte desses acontecimentos – tidos como


bastante relevantes para o meio espírita –, terem transcorrido nas últimas décadas do século XIX, pondera-se que as atividades vinculadas à “obra de Ismael”, desempenhadas na Pátria do Cruzeiro, tiveram o seu início decretado na alvorada dos Quinhentos. Segundo Humberto de Campos, simultaneamente à chegada das primeiras caravelas portuguesas à costa do Novo Mundo, em 1500, Jesus delineou:


– Ismael, manda o meu coração que doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe-a nos teus braços de trabalhador devotado da minha seara, como a recebi no coração obedecendo a sagradas inspirações do nosso Pai.


Reúne as incansáveis falanges do Infinito, que cooperam nos ideais sacrossantos de minha  doutrina, e inicia, desde já, a construção da pátria do meu ensinamento.

Para aí transplantei a árvore da minha misericórdia e espero que a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo. Ela será a doce paisagem dilatada do Tiberíades [...].9


Para detalhar melhor tal acontecimento, Humberto de Campos descreveu:


Ismael recebe o lábaro bendito das mãos compassivas do Senhor, banhado em lágrimas de reconhecimento, e, como se entrara em ação o impulso secreto da sua vontade, eis que a nívea bandeira tem agora uma insígnia. Na sua branca substância, uma tinta celeste inscrevera o lema imortal: “Deus, Cristo e Caridade”.9


Esclarece-se que esse lema começaria a ser divulgado no Brasil, entre os encarnados, somente nos anos 1840, com os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (1809-1858) – também conhecido como Bento Mure – e João Vicente Martins (1808-1854), os quais, sob influência intuitiva do Alto, tinham por divisa as mesmas palavras inscritas na bandeira de Ismael.10

Nas décadas de 1870 e 1880, segundo o pesquisador espírita Silvino Canuto Abreu (1892-1980), o estandarte se fez presente no já mencionado “Grupo Confúcio”, criado em 2 de agosto de 1873; na “Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade”, instituída em 26 de abril de 1876; na “Sociedade Espírita Fraternidade”, datada de 2 de março de 1880; depois no “Grupo Ismael”, fundado em 24 de janeiro de 1885.11 Acrescenta-se que o epíteto “Deus, Cristo e Caridade” foi mencionado pelo Espírito Allan Kardec, na mensagem Instruções de Allan Kardec aos espíritas do Brasil12 – recebida em fevereiro de 1889, na “Sociedade Espírita Fraternidade” –, sendo também adotado, até o presente, como o lema da Federação Espírita Brasileira, 11 a qual por se tratar da Instituição escolhida (e dirigida) por Ismael, é, no dizer de Humberto de Campos, “a depositária e diretora de todas as atividades evangélicas na Pátria do Cruzeiro”.5 Por isso, conforme consta explicado em outra passagem escrita por esse autor espiritual:


A obra da Federação Espírita Brasileira é a expressão do pensamento imaterial dos seus diretores do plano invisível [...]. O roteiro de sua marcha é conhecido e analisado no mundo das verdades do Espírito e a sua orientação nasce da fonte das realidades superiores e eternas, não obstante todas as incompreensões e todos os combates. A história da Casa de Ismael, nos Espaços, está cheia de exemplos edificantes, de sacrifícios e dedicações.6 (Grifo nosso.)


- Para concluir este breve escorço, transcrevemos, parcialmente, o trecho de um texto de Canuto Abreu, escrito no transcorrer da década de 1930, no qual há reproduzido o teor de uma das primeiras comunicações de Ismael, recebida durante as atividades do supracitado “Grupo Confúcio”. Apesar de a mensagem ser atribuída aos anos 1870, entendemos que o seu conteúdo é bastante oportuno à reflexão dos espíritas, em meio à dupla comemoração – dos 130 anos da FEB e do Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo – que ocorre este ano:


O Brasil tem a missão de cristianizar. É a terra da promissão. A terra de todos. A terra da fraternidade. A terra de Jesus.

A terra do Evangelho. [...] Na Era Nova e próxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre ao que ora ouve os arautos do Espaço, que convocam os homens de boa vontade para o preparo da Nova Era, reconhecer em Jesus o chefe espiritual.

Com o Evangelho explicado à luz do Espiritismo, a moral de Jesus [...] atingirá a sua finalidade, que é rejuvenescer os homens velhos, que aqui nascerão ou para aqui virão de todos os pontos do globo, cansados de lutas fratricidas e sedentos de confraternidade.

A missão dos espíritas no Brasil é divulgar o Evangelho em espírito e verdade. Os que quiserem bem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunir-se debaixo deste pálio trinário:


Deus, Cristo e Caridade.

“Onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, ISMAEL”.14


Fonte- Revista reformador de Maio 2014

 

Texto original em: http://auxiliofraternidade.com.br/artigovw.php?cod=115

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