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Contra o suicídio.


Cássio Leonardo Carrara

 A Folha.com, em matéria do dia 11 de junho de 2013, assinada pela repórter Iara Biderman, publicou uma preocupante estatística que intitulou a reportagem: Taxa de suicídio entre jovens cresce 30% em 25 anos no Brasil.

Segundo o texto, o suicídio “é uma das primeiras causas de morte em homens jovens nos países desenvolvidos e emergentes. Mata 26 brasileiros por dia. E ninguém quer falar no assunto”. 

Para se ter uma ideia da gravidade desta situação, a população brasileira cresceu a uma taxa similar em 20 anos: passou de 146 milhões em 1991, para 190 milhões em 2010, segundo dados do IBGE1. No ranking mundial, o Brasil ocupa a 73a posição entre os países com mais ocorrências de suicídio, com 5 mortes para um grupo de 100 mil pessoas2 (8,1 homens e 2 mulheres). Parece pouco se compararmos aos índices de Lituânia, Rússia e Bielorrúsia, que lideram o ranking com 33,1, 30,1 e 27,4 suicídios para cada 100 mil habitantes, respectivamente; a situação, no entanto, não deve analisar apenas números, friamente, mas buscar as causas, procurar prevenções, e, principalmente, entender por que tantos jovens – ainda com toda a vida pela frente – estão desiludidos e sem esperança.

A reportagem supracitada procura listar algumas razões que expliquem esse aumento entre os jovens:

“A taxa cresce por uma conjugação de fatores. ‘A sociedade está cada vez menos solidária, o jovem não tem mais uma rede de apoio. Além disso, é desiludido em relação aos ideais que outras gerações tiveram’, diz Neury [Botega, da Unicamp].

“Há ainda uma pressão social para ser feliz, principalmente nas redes sociais. ‘Todo mundo tem que se sentir ótimo. A obrigação de ser feliz gera tensão no jovem’, diz Robert Gellert Paris, diretor da Associação pela Saúde Emocional de Crianças e conselheiro do CVV (Centro de Valorização da Vida).

“O aumento de casos de depressão em crianças e adolescentes é outro componente importante. ‘Mais de 95% das pessoas que se suicidam têm diagnóstico de doença psiquiátrica’, diz José Manoel Bertolote, autor de O Suicídio e sua Prevenção.

“Junte-se tudo isso ao maior consumo de álcool e drogas e a bomba está armada.”

De fato é uma bomba – e que precisa ser tratada com cuidado na hora de ser desativada para que o fio errado não seja cortado. O importante é não fugir do assunto; tratar o suicídio como tabu e ficar com medo de que a simples citação do assunto possa incitar o ato é negar-se a auxiliar uma pessoa em sofrimento, provocando a prorrogação da angústia. Ao contrário, é importante mostrar que a vida tem, sim, solução. Que todos passamos por péssimos momentos, mas que logo podem se reverter, trazendo novas esperanças.

Os jovens, em especial, precisam administrar uma pressão muito grande nestes dias atuais. Escolha da profissão, vestibular, dificuldades de relacionamento amoroso, inclusão social, drogas, alcoolismo... não é simples, mas ninguém está sozinho. Vivemos em um planeta de provas e expiações e, de fato, enfrentamos situações que nos exigem o exercício da fé e da perseverança diariamente, e não podemos desistir de lutar, nunca!

Em O Livro dos Espíritos, questão 946, o assunto é abordado:

“946. E do suicídio cujo fim é fugir, aquele que o comete, às misérias e às decepções deste mundo?

“Pobres Espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras.”

Fica claro que o suicídio não é, e nunca vai ser, um caminho de suavização dos sofrimentos. Precisamos, com o conhecimento espírita, auxiliar os que se encontram em dificuldades e procurar orientá-los, mostrando que a vida é um grande aprendizado, do qual nenhum de nós pode fugir. Viver – e bem – ainda é o melhor caminho! Procuremos alcançar esta condição.



1. Dados consultados em www.censo2010.ibge.gov.br.

2. Dados de 2011. Fontes: Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde); Whosis (sistema de informação estatística da Organização Mundial de Saúde); Organização das Nações Unidas; e Neury Botega, psiquiatra da Unicamp 

 

Texto original em: http://auxiliofraternidade.com.br/artigovw.php?cod=103

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